Ama de leite
Vinham bater à porta e vinham para vê-la:
Era preta e retina; a estatura della
Não era alta, não; os modos seus afanos,
Mostrava apenas ter dezoito a vinte annos.
- "Não foi aqui", pergunta alguem que a pretendia,
"Que annunciou-se um'ama em um jornal do dia?"
- "É certo, sim senhor"; de dentro brada antiga
Matrona e se levanta. - "Olá! Ó rapariga!
Vem cá na sala, vem. Póde sentar-se. É viva
No serviço da casa, e saiba que é captiva!
Experimental-a é bom; depois della não mude:
E que atteste o doutor, se goza ou não saude.
Engomma, lava, e cose; em tudo ella é geitosa;
Sabe agradar criança, affirmo, é carinhosa
Como bem poucas há. Em quanto aos alugueis,
Por ser para quem é, são sessenta mil réis".
- "Seus filho?!"
A pobre escrava,a intristecer-se toda,
Murmura:
"Meu senhor, meu filho foi p'ra roda".
MORAES FILHO, Mello. Poemas da escravidão. Apud MORAES, Evaristo de. A Campanha abolicionista. 1879-1888. Rio de Janeiro: Editora Leite Ribeiro, 1924.
Nenhum comentário:
Postar um comentário